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sábado, 20 de julho de 2013

Jovens se vestem como São Francisco de Assis, dormem no chão, fazem jejum e vivem para ajudar

São jovens como Richard e Roberto. Eles trocaram de nome, deixaram a família e os amigos e fizeram uma opção radical: viver a espiritualidade inspirados em São Francisco.


Eu Jones Cavalcante(Papai Noel) faço parte desta família.
No agito do centro da cidade ninguém tem tempo a perder. Calçadas cheias, andar apressado. Um grupo de jovens chama a atenção, com vestes e um corte de cabelo nada convencionais. Eles caminham em outro ritmo, com passo firme e olhar atento. Parecem tentar encontrar alguém no meio da multidão. Quem são eles? O que fazem?
São jovens como Richard e Roberto. Eles trocaram de nome, deixaram a família e os amigos e fizeram uma opção radical: viver a espiritualidade inspirados em São Francisco. É uma vida simples, dedicada aos pobres e com muitas renúncias.
“Todo jovem sonha em ser um arquiteto, um advogado, um bom profissional. Eu preciso renunciar esses sonhos. Com o passar do tempo essas renuncias, essas privações, elas vão tendo sentido e eu acho só faz sentido por causa do ideal”, afirma o irmão Tarcísio de Jesus, da Fraternidade Toca de Assis.
E parece ser mesmo no meio dos necessitados que esses jovens se sentem bem. Nas ruas buscam se aproximar daqueles que passam despercebidos pela maioria: catadores de papeis, moradores de rua.
Roberto Badolatto, de 27 anos, entrou para a fraternidade Toca de Assis 10 anos atrás. Ele tinha uma vida confortável com os pais no interior de São Paulo. Daquele tempo, guarda lembranças felizes: o passeio a cavalo, lambuzado de sorvete, de gravatinha borboleta na primeira comunhão.
Mas o garoto que ia à igreja para paquerar é hoje o irmão Vaticano Maria do Santíssimo Sangue de Cristo Deus. Fez votos de pobreza, obediência e castidade.
A equipe do Globo Repórter acompanhou o grupo até o Largo de São Francisco, no Centro do Rio. E ficou afastada com a câmera, para não atrapalhar. Eles se sentam ao lado de Clérison Paulino Cordeiro, um morador de rua que veio do Maranhão e há três anos vive de catar papel. Clérison recebe compreensão e uma bíblia dos toqueiros, como são conhecidos estes jovens da Toca de Assis.
O encontro termina em uma oração: “Queremos pedir a Deus nosso Pai, todo poderoso, que abençoe a nós e a vida do Clérison, seus familiares. Viva o Clérison”, rezam.
O repórter se aproxima. “O que você achou do trabalho deles?”, perguntou.
“É um apoio humano. Sentaram do meu lado, pegaram na minha mão, me abraçaram. É uma coisa, que as outras pessoas vêm trazer um prato de comida, te dão comida, mas não têm coragem de pegar na sua mão”, afirma Clérison Paulino Cordeiro.
“Trazer essa proximidade, esse coração amigo, essa fraternidade que a gente vive entre nós, para dizer que eles também fazem parte da nossa família”, conta o irmão Vaticano.
Além de palavras, ações. Os irmãos atendem, uma vez por semana, moradores de rua em vários pontos do país. O irmão Vaticano corta o cabelo, serve a comida, se sente bem à vontade.
Ele revela que chegou a sentir nojo na primeira vez em que ajudou no banho de um homem mais velho. “O senhor estava com uma alergia, várias feridas nas costas, então aquilo ali me chocou muito. Ao mesmo tempo que dava o nojo, dava vontade de sair daquele banheiro, sair correndo, ao mesmo tempo eu senti essa compaixão, esse amor. Ele ultrapassa essas barreiras”, conta o irmão Vaticano.
Jovens como Eduardo agradecem. “Dá aquela esperança quando não há. De repente vem a Toca de Assis chegando. É aquela felicidade, é aquela fila imensa”, diz Eduardo Teixeira de Araujo, morador de rua.
Na Kombi eles seguem para o alojamento. Em um antigo casarão os toqueiros ficam perto da natureza aos pés do Cristo Redentor. Eles cantam em louvor e buscam viver humildemente a experiência da fraternidade.
A disciplina é rigorosa, mas uma vez por ano tem o que chamam de férias: 20 dias para passar com a família. Eles acordam cedo, rezam, e diariamente repetem a mesma pergunta: “Senhor o que queres que eu faça?”.
O sino avisa: é hora de comer. O almoço é dividido com irmãos que se encontram temporariamente no alojamento. Eles não podem escolher o que vai estar na mesa. Os alimentos são doados.
O irmão Vaticano confessa, a comida de casa deixa saudades. “Olha, eu gosto muito de lasanha com molho branco, eu adoro comida de massa. Toda vez que eu vou de férias minha mãe já sabe, já deixa preparado”, conta.
Restaurante é um luxo ainda mais raro. Desde que deixou São Bernardo do Campo, há dez anos, o irmão Vaticano passa as noites em quartos dormindo no chão. Ele explica que o quarto dele é um espaço de clausura, onde normalmente só ele entra, mas abriu uma exceção.
“A gente vai se acostumando, e também o nosso corpo se acostuma. É bom que isso faz até bem para a coluna. Hoje em dia se eu deitar no colchão já amanheço com a coluna doendo”, afirma.
Ele não tem conta em banco, propriedades, nem guarda objetos de valor material. “Bem material mais caro que eu tenho é eu acho que é minha bíblia”, diz.
O jovem assumiu o compromisso: não pode mais namorar. “Sim, já namorei, fiquei bastante. Na época bastante, como jovem, mas só que chegou determinado ponto da minha vida que o amor que eu tinha, o desejo que eu tinha de estar com Deus, era mais forte do que o desejo que eu tinha de estar com as mulheres”, afirma.
O irmão Vaticano faz uma pausa antes de revelar que quase foi traído pelo desejo. “Eu senti realmente isso, um pouco podemos dizer assim, realmente esse sentimento por uma mulher, essa paixão. E como é bom, como é maravilhoso, poder ser um pai, como é maravilhoso poder ter uma família. Foi um sentimento que veio e que realmente fez chacoalhar, me abalar, porque realmente mexe com um homem”.
Ele conta que a crise fortaleceu sua vocação. “Eu percebi que isso não era o que realizava plenamente o fundo do meu coração, que era justamente algo passageiro, que passa. Tanto que passou e hoje eu estou aqui. Eu pude fazer minha opção novamente, porque eu penso que nosso chamado, nossa vocação é eterna, mas o nosso sim é diário”.
Um estilo de vida tão rígido tem também seus momentos de trégua. Os irmãos filhos da pobreza renunciaram ao luxo, às paqueras, às baladas, mas não fizeram voto de tristeza, eles buscam a diversão em coisas simples, como uma partida de futebol.
O hábito dá lugar às chuteiras, e o silêncio desaparece entre correrias e dribles. Pelo menos uma vez por semana, o esporte e as brincadeiras, como um simples totó, ajudam a recarregar as baterias. Não é pecado comemorar, nem é preciso ter o dom da bola. Mas até na hora de festejar o gol eles lembram de agradecer. Matéria retirada do programa da Globo "Globo Repórter" confira o vídeo deste link http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2013/07/jovens-se-vestem-como-sao-francisco-de-assis-dormem-no-chao-fazem-jejum-e-vivem-para-ajudar.html  O blog mais badalado do Nordeste tem matéria dos toqueiros (Toca de Assis) confira, http://jonescavalcante.blogspot.com.br/2010/12/solidariedade-nao-tem-limite-o-blog-do.html

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