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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mortalidade era 7 vezes maior quando médica de UTI de Curitiba prescrevia remédiosComentários

Relatório entregue pela polícia ao MPE (Ministério Público Estadual) do Paraná aponta que a taxa de mortalidade dos pacientes que a médica Virginia Helena Soares de Souza tratava era sete vezes maior do que quando os doentes eram tratados por outros médicos.

Segundo o documento, em 91,6% dos casos em que Virginia prescreveu a combinação entre um medicamento anestésico e um relaxante muscular houve morte de pacientes. O percentual é muito menor quando as mesmas substâncias foram prescritas por outros médicos --só houve morte 13,3% dos casos analisados.

Os prontuários analisados no relatório são de pacientes que deram entrada na UTI entre janeiro de 2006 e fevereiro do ano passado.

Conforme o relatório, um total de 346 prescrições são assinadas por Virginia. Em 317 casos, o paciente morreu no mesmo dia em que recebeu a medicação. As 128 prescrições restantes levam o nome de outros médicos que atuavam na UTI geral –-todos denunciados pelo MPE e também réus no processo. Nesse caso, houve 17 mortes no dia da administração dos remédios.

Os 474 prontuários analisados fazem parte de um lote de mais de mil documentos em que a polícia busca provas dos homicídios que afirma terem ocorrido no Evangélico. A assessoria do MPE informa que os promotores devem se debruçar sobre os dados do relatório durante as próximas semanas, e que não há prazo para a conclusão da análise da papelada. O caso corre novamente sob sigilo judicial.

A aplicação dos medicamentos, acrescida da redução na ventilação mecânica, era usada pela médica para matar pacientes internados na UTI (unidade de terapia intensiva) geral do Hospital Evangélico, segundo maior de Curitiba, afirma o MPE, na denúncia que apresentou à Justiça há cerca de um mês. A Promotoria apura a diferença entre as taxas de mortalidade

Segundo a denúncia, acatada pela Justiça, Virginia irá responder por sete homicídios duplamente qualificados e formação de quadrilha.

O número de prescrições não equivale, necessariamente, ao de pacientes –-pode haver mais de uma receita por pessoa.

"Não se pode acusar ninguém com base em estatísticas, no Direito brasileiro. Não é crime morrer em UTI. Crime é matar alguém. A polícia não conseguiu provar a autoria de uma única morte. O relatório é um factóide, e um elemento probatório inútil no tribunal", disse o advogado criminalista Elias Mattar Assad, defensor de Virginia.

O caso

Virginia foi presa em 19 de fevereiro. Com a detenção dela, veio a público a investigação policial de quase um ano sobre possíveis homicídios na UTI do Evangélico.

"Investigamos a antecipação de mortes dentro da UTI geral. Não falamos em eutanásia. Para nós, trata-se de homicídios", afirmou, no dia seguinte, a delegada Paula Brisola. Segundo ela, Virginia, que dirigia a UTI geral desde 2006, seria indiciada por homicídio qualificado.

Em 11 de março, ao oferecer denúncia contra quatro médicos, três enfermeiros e um fisioterapeuta, o MPE disse que eles "prescreviam medicamentos bloqueadores neuromusculares normalmente empregados em medicina intensiva para otimização de ventilação artificial, conjugados com fármacos anestésicos, sedativos e analgésicos, procedendo-se [a seguir] ao rebaixamento nos parâmetros respiratórios dos pacientes-vítimas então dependentes de ventilação mecânica, fazendo-os morrer por asfixia".

Os denunciados são a médica Virginia Helena Soares de Souza, diretora da UTI geral do Evangélico desde 2006 (por sete homicídios), os médicos Anderson de Freitas (dois homicídios), Edison Anselmo da Silva Junior e Maria Israela Cortez Boccato e as enfermeiras Laís da Rosa Groff e Patrícia Cristina de Gouveia Ribeiro (um homicídio cada).

Todos eles, além do enfermeiro Claudinei Machado Nunes e da fisioterapeuta Carmencita Emília Minozzo, também deverão responder por formação de quadrilha. No dia 15, a Justiça acatou a denúncia, transformando os denunciados em réus, mas determinou a soltura de todos os suspeitos presos, à exceção de Virginia.

Ela teve a liberdade decretada apenas no dia 20 do mês passado, a pedido da defesa, após passar 30 dias detida. No dia 25, o MPE recorreu, mas o juiz Daniel Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, manteve a médica em liberdade. Agora, aguarda-se pronunciamento do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) a respeito.

Ao anunciar a denúncia contra o grupo, o MPE informou que pediu à polícia para investigar mais 21 mortes de pacientes do Evangélico. Segundo o MPE, os procedimentos adotados pela equipe médica "levantam muita suspeita" de que houve "antecipação de óbitos".

"Em todos, há registro da aplicação de Pavulon [um medicamento que age como bloqueador neuromuscular], sem justificativa médica, seguido de morte. Mediante um pedido de autorização penal de retirada da ação, esses prontuários darão origem a um novo inquérito", informou o promotor Marco Antonio Teixeira, coordenador do Centro Operacional das Promotorias de Justiça da Saúde Pública do MPE. Matéria completa no link

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/04/09/mortalidade-era-7-vezes-maior-quando-medica-de-uti-de-curitiba-prescrevia-remedios.htm

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