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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O MICROFONE APAIXONADO

Por Nodge Nogueira

A crônica esportiva cearense tem sofrido nos últimos anos, um processo natural de renovação, muito embora alguns ícones estejam quase que perpetuados no âmbito da classe, e a grande maioria deles deixará sem dúvida, muita saudade quando pendurarem seus microfones.

Entretanto toda mudança tem um preço, e nesse contexto em que me insiro, temos percebido comportamentos inaceitáveis, de pessoas a quem foram concedidas credenciais que os intitulam de profissionais de imprensa, mas que na verdade são torcedores, que mudaram apenas de local no estádio. Saíram das arquibancadas e desceram para a pista de reportagem, e o que é pior, envergando o colete da invicta APCDEC.

O fato de se ter preferência por uma ou outra agremiação é perfeitamente normal, principalmente para quem vive no meio do futebol. O que não se admite são as manifestações explícitas de suas paixões em seus locais de trabalho, como tem acontecido ao longo do tempo, em jogos no estádio Castelão, seja do Fortaleza, do Ceará, ou quando ambos se encontram.

Cenas lamentáveis, como foram observadas por ocasião do jogo Ceará x Goiás, acontecido no último domingo (19), quando "repórteres" que fazem a cobertura diária do alvinegro, se abraçaram e comemoraram efusivamente, como se estivessem nas arquibancadas, com direito a pulinhos de alegria, pasmem, o gol do Águia de Marabá, que naquele momento jogava contra o Fortaleza no interior do Estado do Pará. Vale salientar que essas comemorações foram alvo de discussões e motivo de espanto entre cronistas, alguns deles de fora do Estado.

A rivalidade entre alvinegros e tricolores em nosso estado, remonta à existência dos dois clubes, e é algo natural e motivador, desde que dentro das medidas da racionalidade. Isso entre torcedores tradicionais, nos pontos de encontro, nas discussões em semana de clássico, nas arquibancadas ou fora delas, mas nunca envolvendo profissionais de imprensa, à beira do gramado, com demonstrações acintosas como temos presenciado aqui.

Esse tipo de comportamento depõe contra a classe, bem como repercute mal para as emissoras as quais esses torcedores repórteres estão ligados. Basta lembrar, que o futebol cearense está disputando a primeira divisão do futebol brasileiro, e que a cada semana passam por aqui clubes e cronistas dos mais adiantados centros do País.

Porém, quando se trata de futebol cearense, onde o cronista não tem acesso ao gramado, e ainda por cima é revistado na entrada do estádio, numa total falta de respeito e consideração ao profissional em seu sagrado local de trabalho, nada mais me surpreende, nem mesmo um microfone apaixonado.

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*Nodge Nogueira é jornalista, radialista, com atuação na área esportiva na Rádio Clube AM 1200 e site Artilheiro.com.

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